Entrevista com a poetisa Laura Assis (https://veredassentimentais.wordpress.com)

Olá, tudo bom? Espero que sim e tudo o mais!

Eis a entrevista com a poetisa Laura Assis, como fora anunciado naquele post do dia 5.9.17, quando da chegada do livro “Galáxias Particulares – devaneios sobre amores raptados”, objeto das nossas indagações e retorno da autora, como antes fora realizado com o escritor Benicio Targas, o artista visual Loureço Gouveia e os poetas Fábio Rafael e Fred Caju.

Eu descobri na página 59 do livro “Cartilha ao pré-escritor” a existência de duas onças que bebem água juntas: divulgação e distribuição. Esta segunda é uma bronca pesada; os nossos entrevistados são autores independentes e distribuem com esforço próprio e mãos amigas quando aparecem e olhe lá! O nosso trabalho aqui é o da humilde divulgação da obra com perguntas que interessariam ao futuro leitor. Agradecemos aos entrevistados pela oportunidade e a você que veio ler a entrevista com a poetisa Laura Assis. Boa leitura:20106701_1217301435082000_1504626705322777262_n

1) Na página nove do livro “O que os donos do poder não querem que você saiba” está assim: “um autor raramente escreve para fazer novos amigos. normalmente perde um bocado deles ao fazê-lo. escreve porque não aguenta mais saber sobre algo sozinho. Livros são, portanto, um desabafo egoísta de seus autores”. De todos os poemas apenas um (“sem tempo de me despedir”) o leitor sabe para quem foi, ainda que não saiba quem seja o tal do Dinho. Foi mais em relação aos outros poemas sem destinatário específico que me fez lembrar da frase acima, imaginando a reação de alguém que se percebesse retratada nas entrelinhas dos seus poemas e ficasse chateada com você ou feliz por ser homenageada. Você concorda com o que o autor da frase acima falou sobre as motivações de um autor? Aconteceu de algum leitor próximo a você levar para o lado pessoal o que estava nos poemas?

Olha, se me fosse feita esta pergunta antes do lançamento do livro, e até mesmo antes da criação do Veredas Sentimentais, eu discordaria desse argumento. Entretanto, lançados os poemas na página, começaram os burburinhos. É obvio que a gente escreve o que a gente vive, o que a gente sonha, o que a gente assiste. E eu tenho um círculo imenso de amizades, diversos grupos desconexos uns dos outros. Então, vejo, ouço e, por consequência compreendo muitas coisas de uma maneira muito minha, que é, também, muito uma mistura de tudo o que meu coração capta. Então, quando do lançamento do livro, quase todos os meus amigos e colegas tiveram acesso ao que escrevo, o que gerou comentários felizes e infelizes e, obviamente, algumas pessoas que se superestimavam, se reconheceram em versos que nem sequer eram para elas, criando um certo distanciamento. Hoje posso dizer que concordo com o autor, embora, como sempre, não totalmente.

2) O livro “Tripálio” do escritor Benicio Targas tinha uma frase que era como se fosse um slogan do site (“Em caso de incêndio mental… faça-me visitas”). Eu gostei dessa conexão do livro com o site porque antes de ser leitor do livro eu fui leitor do site e foi preservado a identidade da obra anterior (considerando os sites dos escritores como uma obra em progresso). Em relação ao seu livro eu senti falta da identificação dos heterônimos, das minibiografias deles que tem no site. Ajudava a imaginar o ambiente de cada persona. A não inclusão das biografias foi intencional? Sim! Conforme o prefácio, como o Fernando Pessoa é um dos seus guias, lembrei que para cada heterônimo ele fizera até mapa astral. Neste caso, de quais signos seriam a Lise e a Íris?

É verdade que Pessoa me trouxe no colo até aqui. Mas se existe algo a que eu nunca me atrevi foi me meter com mapas astrais e signos. Eu sei que sou de Gêmeos e ponto final. Sobre Íris, posso lhe dizer que é romântica, cheia de sonhos dos mais pueris, embora não seja uma santa e tenha também seus desejos quase contidos. Lise já nasceu sedenta por viver tudo o que a vida puder permitir, à frente de seu tempo. Mas mapa astral, meu caro, não é a minha praia, eu preciso confessar…
Quanto ao livro não possuir identificações das minhas inseparáveis companheiras, tem uma motivação…

3) Opa! Se possível, conte-nos desta motivação 🙂

Eu estou trabalhando em um romance que comecei bastante tempo antes de reunir os poemas de “Galáxia Particular”.
Lendo o romance você conseguirá será possível saber tudo muitas coisas sobre os meus dois heterônimos, que tem uma ligação de sangue, que são minhas melhores amigas, a quem eu conto meus segredos mais obscuros.

4) Sim! Lá na página 62 do livro “Negociando com os mortos“, da Margaret Atwood, ela diz “Quanto aos artistas que são também escritores, eles são duplamente duplos, pois o simples fato de escrever divide o eu ao meio”. Aí, mais na frente, à página 67, também diz “Todos os autores são duplos, pela simples razão de que nunca se consegue realmente conhecer o autor do livro que se acabou de ler”. considerando essa questão dos heterônimos, vimos que você dividiu-se em duas; ou, como está numa das orelhas do livro, você permitiu-se desdobrar-se em dois heterônimos. A minha pergunta, finalmente, é: depois de pronto, como você decide de quem será o poema. Essa pergunta veio porque enquanto no poema “Sem aviso prévio”, da Lise, estava escrito “como dizia o provérbio não há mal que sempre dure ou bem que nunca acabe”, no poema “Esteio”, da Íris, fora escrito “que não foi à toa que disse um poeta que não há mal que sempre dure”. Aí achei massa o reaparecimento de um verso no poema da outra, como se fosse transmissão de pensamento.

Na verdade, se você olhar bem de perto, poderá perceber que Lise e Íris poderiam ser a mesma pessoa, em momentos e situações diferentes.
Lise é um pouco mais ousada, Íris mais romântica… mas a essência é basicamente a mesma. Os poemas, as palavras delas jorram sem destinatário, muitas vezes, mas o remetente é sempre certo mesmo antes da primeira palavra.

5) Sensacional! E quando o romance será lançado? Sim! Será lançado também pela Editora Bartlebee?

Bom, eu terminei por estes dias, na verdade. Estamos em fase de revisão e ilustração, que será feita pelo meu queridíssimo Marcos Duque, que é um cara sensacional! Já o lançamento é um pouco mais complicado, principalmente quando se trata de uma produção independente. A questão da distribuição dos livros é uma questão bastante complicada, sabe?

6) Enquanto o romance não vem, aproveito para perguntar de acordo com a minibiografia de Lise, qual seria o Guimarães Rosa e o Nietzsche na cabeceira e qual música ou cd estariam tocando hoje nos fones de ouvido dela, já que aparece uma canção do Caetano (“e só eu sei a dor e a delícia”) no poema “frag mentos”, tem um poema com nome de canção dos Cranberries (“Just myimagination”) e Wando apareceu no poema “Don’t abuse her”.

Lise, definitivamente, está lendo “Grande Sertão – Veredas” do amado Guima. É um livro que não se deve parar de ler mesmo depois da centésima vez. São ensinamentos para a vida, para todos os momentos, entende? Lise gostaria de decorar cada linda linha deste livro. De Nietzsche, Lise gosta do “Ecce Homo” por ser uma obra tão controversa quanto ela mesma. Nos fones de ouvido desta mulher, impossível prever a próxima faixa!! Ela vai de Nelson Gonçalves a Madredeus em questão de segundos.

7) No livro da Margaret Atwood aparecem dois poemas do poeta James Macpherson, que aparece na minibiografia da Lise Macpherson. O primeiro, às páginas 184-185, “Livro” (“Caro Leitor, não compartindo sua carne e sangue/ Não posso amar como você, nem você como eu/ Mas como você, lançado também na correnteza,/ Pobre barco, para suportar um mar tão bravio./ O besouro-d’água que viaja frágil e seco/ À superfície da água não é mais insignificante do que eu;/ Nem mais formidável é a velha baleia/ Que observa o leito do oceano com olhar excitado./ Embora, por vontade do meu criador, eu abarque o ar, o fogo, a água e a terra,/ Meu tamanho não pesa em sua mão./ Cresço à sua vista, e por sua causa./ Seu servo, mas me aferro ao homem com firmeza:/ Apreendido e devorado, eu o abençôo. Tome, Leitor.) e o segundo, à página 192, “O poço” (“Um inverno paira sobre o poço escuro,/ Dou as costas para o céu/ a ver se nessa escuridão algo se move,/ Ou cintila ou pisca um olho:/ Ou, olhando do fundo para o alto, vejo/ O céu é branco, minha imagem pupilar -/ Com tudo que ficou perdido, com tudo que brilha -/ Meu inverno com os mortos:/ Um poço de verdades, de imagens, de palavras,/ No horizonte onde Orion surge vejo o poço do solstício se transformar em escada,/ As constelações nascerem.”). Dito isto, minha pergunta é sobre o título do livro, de onde veio e tudo o mais o “Galáxia Particular”. É porque tem um poema de Lise chamado “Galáxia Stelar” (“Tua voz doce/ Me transporta/ Faz parar o universo/ Me prende naquele espaço/ Entre o nosso mundo/ E todos os outros/ Que por ventura possam/ Existir…/ O timbre que atravessa/ Espaço, tempo/ Magnetiza, penetra/ Misteriosa atração/ Apaga o passado/ Resolve  os entraves/ Desata os nós/ Me leva, me eleva/ Me tira do chão/ A tua voz, teu tom/ Me faz te esperar todas as noites/ Naquela galáxia, nossa galáxia/ E então, acima da lua/ Abaixo das estrelas/ Só eu e você, nuas”) . Aí minha mente foi buscar referência nas músicas “Stellar” do Incubus e “Infinito Particular” da Marisa Monte e gostaria de saber mais sobre o nome do livro e as ligações ou não com o poema da Lise.

Na letra do Incubus, quando ele canta “I need you to see this place”, posso dizer que, ao publicar meu livro, eu quis dizer a mesma coisa. Galáxia Particular é o meu lugar, são as minhas estrelas, o meu espaço sideral, meus quasares… Mas não, não teve nada a ver com a música a escolha do título. Na verdade, eu sou uma apaixonada pelo céu noturno, por tudo o que se pode enxergar ou não nele. Perdi a conta de quantas vezes me deitei olhando para o céu esperando encontrar respostas, alento ou tão somente a paz que as estrelas podem oferecer. O poema “Galáxia Stelar” foi escrito para estas pessoas que aparecem em nossas vidas com o enorme poder que as estrelas tem quando se alinham, fazendo com que tudo chegue ao devido lugar…

8) Onde comprar o livro?

Como eu disse anteriormente, o grande entrave de se publicar um livro de forma independente, é a distribuição. No meu caso, eu mesma faço a venda dos livros. Acabei de receber uma remessa, inclusive! Quem quiser adquirir, basta entrar em contato comigo através do e-mail (rassis.laura@gmail.com) ou através das redes sociais (Veredas Sentimentais). Ainda custa R$ 25,00 e eu envio pelos Correios!

9) Diz o que você quiser para quem estiver lendo esta entrevista.

Primeiramente, gostaria de agradecer sua paciência e gentileza, meu querido Jorge! Ao leitor, valorize a arte! Seja ela escrita, cantada, desenhada ou qualquer que seja a forma com a qual ela se expressa. Leia mais, deixe um pouco o celular e devore algumas palavras. Segure um livro nas mãos. Cante e dance livremente, sem se importar com afinação ou com quem está olhando. Seja livre! E leia meu livro! Hahahaha

 

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6 comentários sobre “Entrevista com a poetisa Laura Assis (https://veredassentimentais.wordpress.com)

    1. Aeww! 🙂 Que massa que gostasse da autora e da entrevista, G. 🙂 Pow, valeu ae 🙂 Como dizem: i wasn’t expecting that 🙂 And that was awesome 🙂 Abraços e tudo de bom para todos nós 🙂 Uma ótima semana e tudo o mais!

      Curtido por 1 pessoa

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